sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Agradeço


Só tenho a agradecer por morar nesta cidade e ser agraciado com esta paisagem!!!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A culpa é sua

Se eu te amo a culpa é toda sua...
Eu nao pedi pra me apaixonar...
Vc me fez te amar...
Hoje me faz chorar...
De tanta saudades...
Eu te amo...
Mas a culpa é sua...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Sonhos

Quando os nossos sonhos se acabam, fica um vazio imenso, uma vontade de parar, de desistir de tudo...É um período difícil, em que os dias, as horas, e até os segundos são longos...Não conseguimos progredir...
Falta vontade, motivação... Fechamo-nos para tudo e para todos, como se nada importasse, nada tivesse algum valor...Vamos nos destruindo pouco a pouco...Por que será que muitas coisas em que acreditamos, chegam ao fim?Acreditamos na felicidade eterna,e muitas vezes ela não passa de um pequeno tempo... Tempo suficiente para deixar uma saudade infinita... Até que um dia...Um novo sonho começa a dar o ar de sua graça, chegando de mansinho, tentando abrir os cadeados do nosso coração... Estamos trancados, com um enorme medo de sofrer de novo. Mas, mesmo assim, o novo sonho vem chegando, trazendo na mala tudo de novo... E como todo novo sonho, é regado de novidades que fascinam, mexendo com emoções adormecidas, trazendo de volta a emoção de viver, amar, recomeçar! Nesta hora, quando tudo ressurge, podemos avaliar melhor a vida... Temos que transformar cada pequeno instante, em grandes momentos... Eliminar tudo que maltrata o nosso corpo, o nosso espírito, e dar lugar somente ao que nos engrandece como verdadeiro ser humano e filho de Deus! E se os seus sonhos estiverem nas nuvens, não se preocupe... Eles estão no lugar certo. Construa os alicerces, e SUBA! Nunca desista de ser feliz! SONHE, pois o SONHO comanda a vida!!! Atreva-se a SONHAR e encontre a FELICIDADE .

Reflexões

Ultimamente tenho andado perdido em meus pensamentos, meu senso de espaço e tempo já não é mais o mesmo, posso dizer que minha própria vida já não é mais a mesma. Não sei precisar ao certo como ou quando isto começou, só sei que estou me sentindo bem melhor assim.
Sei que não sou um bom exemplo a ser seguido, principalmente por meu passado, que não me deixa uma boa imagem, porém, nesta nova fase de minha vida, tenho certeza que tudo que um dia foi dito de mim, agora não terá mais sentido.
Devo esta nova fase, principalmente, às decepções que meu passado me causou. Desperdicei muito tempo de minha vida com coisas fúteis, e hoje vejo que apesar de no momento, estas futilidades terem me dado prazer, o único legado que elas me deixaram foi o de saber que não preciso delas para ser feliz. Nem tudo nessa vida é festa, às vezes deixamos de reparar nas mais belas coisas da vida, por estarmos iludidos por falsos prazeres, por falsos amigos, que buscam em nós somente mais uma pessoa para o seu círculo vicioso. Quantas pessoas já jogaram tudo fora, família, dinheiro, casa, carro, pessoas que iludiram-se com os vícios da vida moderna, pessoas que perderam-se no seu caminho. Por isso todos os dias fico me perguntando "O que é mais importante? Prazeres instantâneos, superficiais? Ou estar ao lado de quem te ama?
Talvez, há alguns anos atrás, se eu já tivesse esta consciência, hoje eu não estivesse passando por estes momentos de reflexão, pois eu estive ao lado de quem me amava e não fui capaz de aceitar esse amor e me entregar. Não me arrependo, pois sei que por isso, tive um grande aprendizado em minha vida, porém, fico triste, pois hoje eu sei como ela se sentiu, e sei porque ela ainda me procura. Porque quando encontramos o grande amor de nossas vidas, não somos capazes de abdicar dele, abdicamos sim de nossa própria vida para corrermos atrás e lutarmos até o fim.
Mas, a vida é assim, cheia de altos e baixos, reviravoltas, aprendizados, quem sabe um dia, após voltas e voltas deste mundo, você assim como eu, perceba o quanto está iludindo-se. E neste dia, se você resolver me procurar, saiba que estarei aqui, esperando por ti.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Iniciativa

Quando você toma uma iniciativa, seja ela qual for, seu mundo parece que se transforma, você se sente confiante para fazer o que antes não tinha coragem.
Novas possibilidades se abrem e, de repente, aquele lugar que você sempre quis ir, já não fica mais tão longe.
Então a vida fica mais clara, ganha mais sentido.
E descobrir, agora é uma palavra constante no seu dia-a-dia.
Você descobre que o seu poder de decisão agora é muito mais forte do que você imaginava, e que a palavra cuidado faz muito mais sentido quando você a transpõe para outras pessoas.
Descobre que cuidar de si mesmo, é a melhor forma de continuar cuidando das pessoas que você ama.
Descobre também que se dar valor, é antes de tudo, dar valor à vida.
E quando você se conhece e acredita no seu potencial os sonhos que antes pareciam inalcançáveis, podem se tornar surpreendentemente reais.
De repente você olha para trás e nem acredita que conseguiu realizar tanta coisa.
Então descobre o melhor de tudo, realizar seus sonhos não começa por coisas complicadas, não começa pelos outros, começa por um ponto, um ponto dentro de você!!!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sem título

Calejo minhas mãos
ao rabiscar em papéis vãos
meus ávaros sentimentos
É como se o vento
vasculhasse toda minh'alma
e como uma coruja louca
vigiasse com calma
a insustentável leveza do amor

Lama

Se meu choro fosse tão alto
Capaz de trincar redoma de vidros
Usaria outro sentimento
Que não fosse tão explícito
Fecharia os olhos
Para que não tivesse visto
A face dos humanos
Tão enfermos
E tão estranhos
Mas como tão alto chorei
Não suportei
A lama que desfilava em meu rosto
E a surdez
Exarcebada de novo
Lástima e fugaz

Seres Invisíveis

Apagaram a consciência
dos seres daqui
Encarceraram o coração
dos seres daqui
Obtiveram lucros
dos seres daqui
As mão bélicas são
dos seres daqui
A destruição utópica
dos seres daqui
A verdade sem lógica
dos seres daqui
Um diálogo lástimo
Um coração trágico
Dos olhos riacho
e os seres aqui

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Apocalipse

... E a porta fechou-se
O que era gelo, tornou-se água...
e pingava
A luz nem piscava
O que era vidro,
tornou-se madeira
E o reflexo no espelho
Só mostrava o vento
As nuvens eram mais fortes que o sol
E transformavam o dia em noite
A escuridão era imensa
Não havia folhas pra caírem
Nem flores para embelezar
Quanto menos neve para gelar
E a casa que antes houve,
a Terra apoderou-se
E a Terra que até então existiu
Com o Apocalipse sumiu......
e tudo é profecia

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Na escuridão

Quando parece
Como se o mundo ao seu redor estivesse se partindo
E parece
Como se não houvesse ninguém ao seu redor
E está quieto
Há um silêncio na escuridão
E soa
Como uma festa que acaba
Então você caminha
Em lugares cheios de vazio
E você fica
No vazio ao redor de você
Você quer ir
Para a cidade e para as luzes brilhantes
Fugir dos aproveitadores que estão ao seu redor
Porque eu estarei lá
E você estará lá
Vamos nos encontrar na escuridão
E você me verá
E eu verei você também
Porque nós estaremos juntos na escuridão
Porque se está vindo para você
Então está vindo para mim
Porque eu estarei lá
Porque nós precisamos da escuridão
E se espanta você
Então me espanta
Porque eu estarei lá
Então estaremos juntos na escuridão
Quando eu olho para o céu
Há faíscas claras como o gelo
Você quer que eu te leve lá
Eu quero que você fique comigo
Porque você não é a única
A única
Não, não
Não se preocupe
Você não é a unica
Nos seguramos na escuridão
Agora estamos salvos juntos na escuridão
Porque nos temos na escuridão

Oportunidades...

Os guarda-chuvas abertos. E uma oração. Ela chorava. Ele não expressava sentimento. Era a despedida do velho milionário. O som forte dos passos estourando as poças d'água anunciava a chegada de outros. Para Joana, a morte do avô era o fim de sua vida. Para Leonardo, o começo de uma nova trajetória. Aos 32 anos, e sócio do velho, preocupa-se com os compromissos que este momento póstumo irá trazer à sua vida. Já o neto, 18 anos, e despreocupado com a vida, aguarda o momento em que saberá sua parte na herança.
O velho milionário era dono de uma rede de hotéis. Seus únicos herdeiros eram os netos que criara e educara desde a infância, quando um acidente de carro levou sua única filha e o marido.
Amigos e parceiros do empresário aproximam-se para compartilhar do momento. As lágrimas de Joana misturam-se àquela chuva torrencial. Parece desamparada. Leonardo, que parecia ser seu único conforto, acende um cigarro e pergunta à irmã quando irão tratar do testamento. A resposta de Joana veio com um grito de desespero que provoca a retirada do jovem. Leonardo dá de ombros e resolve aguardar à distância. Dá alguns passos e percebe a chegada de um estranho. Estranho à ele.Estranho à Joana. Estranho aos outros que ali estavam.O estranho aproxima-se do caixão. Os olhares investigadores registravam seu perfil dos pés a cabeça. Todos estavam espantados com sua altura. Seu perfume floral invade todo o espaço. O estranho mira à todos e sem que os questionassem, revela sua identidade: Marcelo Augusto, 63 anos. O espanto é ainda maior. Sua veste era feminina, mas sua voz era de macho.
"Antes que me perguntem. Sim, sou transformista e mantive uma relação estável com Aroldo por 10 longos e agradáveis anos."
A chuva segue. O silêncio permeia. O estranho continua:
"Levo essa vida para meu sustento. Mas sei que a partir de agora, não necessitarei mais. Nossos anos juntos me dão o direito nessa partilha."
Antes que o 'estranho' pudesse prosseguir, Leonardo apaga seu cigarro com extrema raiva. Para sua inconformidade, surge mais um reclamante e, possivelmente, terá apenas um terço da herança.
O garoto retira-se. Joana segue o choro, agora, em silêncio. Todos, espantados, abandonam o cemitério. Marcelo Augusto ampara Joana. A chuva cessa.
Joana despede-se do 'estranho'. Do outro lado do cemitério, outros despediam-se de seus entes. Marcelo Augusto ajeita-se e, vagarosamente, segue até lá. No caminho, pensa no próximo discurso.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Pergunte-me

Se você prefere experimentar sentimentos fugazes
Viver de pequenos momentos
Ser apenas mais uma entre muitas
Ao invés de ser a única em meu universo
Então vá, viva sua ilusão de liberdade
E se algum dia você se encontrar perdida em pensamentos
De como poderia ter sido bom estar ao meu lado
Pergunte-me como fiz para superar a tua rejeição
Pois já terei seguido o meu caminho
E te esquecido

Deixe-me

Deixe-me calar a boca dos desatentos
Acariciar os lábios dos apaixonados
E ficar solitário
Na rejeição da vida
Deixe-me ferver em águas claras
Congelar no leito da solitária
E buscar sentido
Para toda essa revolta...essa revolta

Querida Estranha

Querida estranha
Não olhe diretamente nos meus olhos
Mas se olhá-los
Não os faça chorar
Não toque com audácias meu corpo
Mas se tocá-lo
Não me aqueça
Não beije insaciavelmente meus lábios
Mas se beijá-los
Não demore
Mas se demorar
Me ame

Esqueço

Esqueço os princípios,
Os amores
- se existem -
Esqueço os lençóis,O calor
- se aquece -
Esqueço a brisa,
E a janela aberta,
Esqueço a canção,
A nota certa
Esqueço a proposta,
A resposta
Esqueço a pergunta,
A questão
Esqueço o relógio,
O tempo
Esqueço as palavras,
Os dialetos
Esqueço de mim,
Do eu em alguma avenida.

Espelho

Menti,

Sobre coisas que mal entendo

Donde viestes?

Para onde pretendes ir?

Só irei se tiver certeza que tu

Sejas de confiança.

Tenho medo de ti,

Dos teus olhos,

Da tua boca,

Da profundidade do teu coração.

Quem és tu?

Eu te conheço?

Meu nome é... ah, não importa

E o teu?

Disserem-me que te chamam de

Espelho

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Nonela

Sentada no degrau em frente ao açougue, estava Nonela. Triste e com os olhos chorosos, pedia moedas a cada cliente que deixava o estabelecimento após as compras. A cena repetia-se todos os dias, durante meses. Por longos anos sua atividade foi esta. Nunca passou em sua cabeça pedir algo de comer, de agasalhar. Sempre moedas.
Joaquim comprava sua refeição todos os dias naquele açougue. E durante anos deixava os trocados, que lhe sobravam das compras, na mão negra e suja de Nonela que permanecia por horas estendida aguardando um pouco de gratidão.
Em um desses costumeiros dias em que Joaquim foi ao açougue e deixou os trocados na mão de Nonela, perguntou-se sobre aquilo ser algum tipo de recompensa. Se fosse, referia-se a quê? Não havia nada que Nonela fizesse para merecer tais moedas. O simples fato de estar ali, sem condições de se sustentar, não lhe dava o direito de receber caridades. Mas não dependia de caridade. Nonela era bonita, robusta, aparentava ter uns 30 anos apesar de já completar 43. Havia coisas que seu corpo e sua mente poderiam fazer para merecer a pequena contribuição. E isso Joaquim estivera a suspeitar.
Joaquim morava a quatro quadras do açougue. Caminhava de sua casa até lá todos os dias. E do açougue tomava o trem até seu trabalho. A maratona bem lhe servia, visto que seus 44 anos lhe agradeciam.
A quarta-feira nublada não impediu a figura chorosa de estar no degrau de costume para mendigar. E lá estava Joaquim, selecionando o melhor pedaço da carne para os bifes do almoço. Paga ao caixa a quantia de R$6,00 com uma de suas notas de R$10. O troco estava certo que iria parar nas mãos de Nonela. Joaquim fez um comentário qualquer com o açougueiro, que lhe questionou sobre algumas moedas deixadas nos degraus da calçada. O homem, sem entender muito, disparou um insulto de indignação pelo que acabara de ouvir. Deu de ombros e foi tirar satisfação com a pobre coitada Nonela a fim de conhecê-la melhor.
Próximo à pedinte pediu para sentar-se ao lado dela. Nonela, de forma indialogável, emudeceu a solicitação. No entanto, Joaquim mantém seu propósito e inicia uma série de perguntas, na sua maioria, sem obter respostas, a não ser a que respondia com gestos e olhares. Do balcão do açougue podia-se ver a imagem no degrau. O açougueiro presenciava um diálogo um tanto estranho. Observava Joaquim gesticulando com os braços, boca, mas não conseguia enxergar nada nem ninguém além daquilo. Talvez este alguém estivesse afastado, longe do seu campo de visão.
Joaquim tivera a noite mais confusa da sua vida. As palavras e frases ditas por Nonela o deixaram perdido em seu próprio sono.
Nonela perdeu o filho de quatro anos e o marido quando um terrível incêndio pôs fim a sua casa. As figuras mais importantes da vida dela haviam se tornado cinzas. Desde aquele dia, Nonela esteve perturbada, na busca por respostas. Alienada em um mundo que lhe foi ainda mais cruel. A justiça lhe daria a casa, os móveis, e tudo o que era concreto. Mas, obviamente, não lhe devolveria a família. Seu mundo tornara-se escuro e sombrio. Essa história ela relatou a Joaquim, que ficou atordoado prometendo dar uma nova vida a ela.
No dia seguinte, guiado pelo mesmo trajeto, Joaquim tem seu pensamento voltado a Nonela. Pensava sobre um projeto de vida que prometeria a ela. A cada metro percorrido, a tensão aumentava. Seu coração acelerado não via o momento de estar em frente à solitária Nonela. Os olhos deste homem avistavam o açougue e, portanto, os degraus. Os mesmos degraus em que Nonela permanecia horas e horas durante anos, mendigando centavos. O que Joaquim menos esperava era não encontrá-la, visto que era de costume aquela imagem aos seus olhos. Aquele foi o primeiro dia em que a triste Nonela não fora vista sentada no concreto degraudeado. E Joaquim, com muitas dúvidas em sua confusa mente, adentrou no açougue e, rapidamente, perguntou sobre Nonela. Sobre a mulher negra e triste que sempre estivera ali. Queria saber o seu paradeiro. A resposta do açougueiro soou estranha aos ouvidos dele: “Não me lembro de nenhuma mulher sentada em frente ao meu estabelecimento. Aliás, ontem percebi que falavas com alguém, talvez fosse esta mesma pessoa, mas confesso que nunca a vi antes”.
Joaquim era um poço de dúvidas e, partiu dali para o seu trabalho sem mesmo ter feito as compras de sempre. Completamente perdido e, com mais perguntas que antes tivera, inconformado com o que ele julgava ter sido um misterioso desaparecimento. Queria entender o porquê durante tantos anos ela agia desta forma. Para ele, o incêndio e a perda da família foram, sem sombra de dúvidas, as principais causas do trauma. Mas o que ele não compreendia era porque Nonela sumiria assim, da noite para o dia, mesmo ele prometendo ajudá-la.
Era comum o trem estar lotado. As pessoas espremidas e mal podiam respirar. Alguns vagões eram mais lotados que outros. Para os cidadãos trabalhadores que tomavam o transporte diariamente, pegar um vagão com espaços e lugares livres, era sinal de um dia de sorte. Depois de começar um dia medonho, nada melhor a Joaquim do que um lugarzinho para sentar e um ar para respirar, sem pessoas amontoando-se umas em cima das outras. Se isso era motivo de começar bem o dia, então Joaquim estava em seu dia de sorte. Mas se dependesse de tudo que viera lhe acontecendo, nem mesmo um vagão vazio iria deixá-lo menos preocupado. Apoiou-se em um corrimão de teto e, sem perceber que era o único ser humano daquele vagão que estava de pé, avistou uma linda mulher. Negra, com um fino rosto que disfarçava o olhar triste, coberta por uma linda roupagem, levantava-se para deixar o coletivo. Se Joaquim não tivesse estado um largo tempo conversando com Nonela, fixando seu olhar no dela, não teria tanta certeza de estar enxergando a mesma mulher que, por dias, a via pedindo trocados para seu sustento, e que sofrera tanto com a morte do filho e do marido lhe causando esse trauma. Naquele mesmo instante, muitas imagens, perguntas e respostas embaralhavam-se em sua mente. Como uma espécie de reflexo de pensamento acordava e o trem tornava a andar. Pela janela, do lado fora, ele percebera a linda mulher despedir-se com um olhar rápido para Joaquim que, ensandecido, se desespera para descer naquela estação. Não alcançou seu objetivo.
Mais uma noite de insônia e de pensamentos repletos de ambigüidades. Joaquim não cisma em outra coisa a não ser em Nonela e na mulher que vira no trem.
Um novo dia nasce. E Joaquim percebe o insuportável despertador avisar que está na hora de partir. Ele percebe o quão inútil foi o mecanismo do relógio pelo fato de ter permanecido acordado noite adentro. Levanta-se e parte para o seu caminho, na esperança de encontrar Nonela, no mesmo lugar em que estivera ausente o dia anterior, mas que, mais uma vez, lhe abate a visão de que ela não está lá, sentada e esmolando. Não vê outra saída a não ser contar a alguém tudo o que lhe ocorrera com a finalidade de saber e entender sobre o paradeiro desta, que lhe trouxe um mar de confusões para sua cabeça. Chega ao açougue faz ao açougueiro a mesma pergunta do dia anterior o qual lhe dá a mesma resposta. Joaquim, então, resolve lhe contar tudo o que lhe acontecera nos últimos dias e, espantosamente, ouve o seguinte relato:
“Talvez o que eu vá lhe contar agora, lhe deixe tão espantado quanto como eu fiquei ao ouvir toda sua história. Mas é tudo o que sei: Há quatro anos, um terrível incêndio abalou esta cidade. Uma família composta de três pessoas, aparentemente felizes, teve sua casa completamente tomada pelas chamas. A mulher, desesperada, gritava e chorava do lado de fora da casa. Seu filho e seu marido estavam lá dentro. Não puderam escapar e morreram carbonizados. Durante dias ela permaneceu vagando nas ruas, solitária e triste. Não dirigia a palavra a ninguém. Muitas vezes sentava nos degraus aqui em frente e chorava quase que um dia inteiro. Os órgãos públicos lhe deram uma nova casa, uma nova mobília, mas, infelizmente, não poderiam trazer seus entes de volta. Algumas semanas depois, nestes mesmos degraus, a mulher não suportou a pressão que a vida lhe dera e atirou contra seu próprio peito. Houve tentativa de resgate pelos médicos, mas o destino a levou. Ou pior, o desespero. O que mais me espanta nisso tudo é o nome dela. Virginia Nonela Ndour.”
Joaquim voltou pra casa, na esperança de dormir tranqüilamente. Momentos antes de seu relógio despertar, uma cena surge em seu sonho.
“Sentada no degrau em frente ao açougue, estava Nonela. Triste e com os olhos chorosos, pedia moedas a cada cliente que deixava o estabelecimento após as compras. A cena repetia-se todos os dias, durante meses. Por longos anos sua atividade foi esta. Nunca passou em sua cabeça pedir algo de comer, de agasalhar. Sempre moedas.”
Este foi o último sonho que ele teve antes de acordar e ver seu quarto tomado pelas chamas e de ouvir gritos desesperadores de seu filho vindos do quarto ao lado e, supostamente, de sua mulher, vindos do lado de fora da casa.
Na página de obituários do jornal do dia seguinte, a despedida a Joaquim Abelardo Ndour e a João Otávio Ndour, pai e filho vítimas de um incêndio, aparentemente, acidental. A esposa e mãe Virgínia Nonela Ndour sobreviveu a este trágico episódio.

Tempestade

... Não importa o tamanho que esteja a saudade
Uma tempestade é sempre bem vinda
Quando da purificação da alma
Do resgate dos pensamentos
E da aproximação dos corpos

Não me vejo mergulhado na lama
Mas meu pés ali permanecerão
Até que o sol paire
E a terra firme
Ao instante encontro

Não defino tal sentimento
Como parte dessa depressão
MasContinuareiALigarEstasPalavras
Para acolher a sensação
De, outra vez, nossas mão dadas.

Amores de Verão

Versos ocasionais sem a devida proporção
Sentimentos aplacados por amores de verão
Nada faz sentido, o mundo não gira
Por amores não correspondidos

Não há paz, quietude ou vibração
Não há vontade, energia ou disposição
Em nossas vidas, pessoas vêm e vão
Deixam marcas, profundas ou não

Mas de todas as marcas,
Tiramos uma lição
Aprendemos a lidar com a dor
Querendo ou não